sexta-feira, 31 de julho de 2015

AMOR

Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão!
Na tu´alma, em teus encantos
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 
Quero em teus lábio beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 
Quero viver d´esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 
Vem, anjo, minha donzela, 
Minh´alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 
E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
Morrer contigo de amor!

Álvares de Azevedo 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Em Tempos de Guerra


A procura de se sair melhor
Ocultam o seu pior
Fazem besteira o tempo todo
E deixam o país no lodo.
Enriquecimento ilícito
Mensalão
Favorecimento
Mentiras
Um país lindo sofrendo
Nas mãos de um povo horrendo
Que por ironia
Foi ele que colocou.
Numa terra que tanto dá
Há tantos e tantos
Sem trabalhar
E alguns vivem a mendigar.
Mendigam educação.
Saúde e proteção
Trabalho e o pão.
Pessoas que vivem presas
Que cometeram crimes
E ainda não foram julgados
Justiça para injustiçados!
Negros ainda é a maioria dos mortos
A discriminação não acaba
Por mais que se fale
Isso não nuda.
Mulheres sendo estupradas
Pela TV e por animais.
Aliás, animais são bem mais espertos.
Rogo por um país livre
Em que a opinião de um
Não fere o direito do outro.
Um país em que as crianças tenham orgulho de ir a escola
E olhar os professores, que respeitados
Ensinam o futuro do país.

Antonio Oliveira

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manoel Bandeira

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Meu mundo é você

O meu mundo muda:

Quando o sol sorrir para o dia,

Quando a lua acende a noite,

Quando a rima se entrega a música,

Quando o rio se encontra com o mar,

Quando a letra completa a palavra,

Quando o vento sopra as folhas,

Quando as ondas beijam as areias,

Quando os segundos indicam o minuto,

Quando as horas acrescentam o dia,

Quando a comida sacia a fome,

Quando minha boca encosta na tua.

Antonio Oliveira



Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

terça-feira, 28 de julho de 2015

Se entregue ao amor

Permita que algo
Invada seu coração
Que está consado
De viver em solidão.
Deixe que ele o preencha
E tome conta
Até do que pensa.
Nós só podemos dar
Aquilo que a gente tem
Então o que você vai fazer
Vais continuar a sofrer?
Todo mundo comete erro
Não é porque vc sofreu
Que vai acontecer o mesmo
Ponha amor no lugar do medo
E confie que vai dar tudo certo.
Você vai ser feliz
Se confiar
E se entregar a esse amor.
Antonio Oliveira

domingo, 26 de julho de 2015

Inferno

Inferno

Corre! Salve-se!
Dor, vidas morrendo
Sem saber o que fez
Porque está pegando o alto preço.
Agonização
Tanto ódio
Tanta fúria
Fumaça pra todo lado
O Inferno?
Não!
Por que fazemos isso!
Por que colocar fogo na mata!
Espécies perdidas
Doenças pra curar
Vidas de indefesas
Pagando por erro nosso.
Até quando vamos cometer este erro
Em prol de dinheiro que vai acabar?
Até quando!

Antonio Oliveira

Momento Divino

Dois corpos que se unem
Misturam seus perfumes
Para serem um só.
Momento divino
Em que tudo para
E só os dois existem.
Boca na boca
Mãos que tiram a roupa
Copos quentes como vulcão
Prestes a entrar em erupção
Língua que percorre o corpo
Como se fosse um 'gps'
Descobrindo os locais mais escondidos
E provoca calafrios
Corpos nus
E o desejo incontrolável
As mãos apalpam todo o corpo
Como se fizessem massagem
A língua chega ao destino mais procurado.
E provoca delírios.
Gemidos se ouve e o pedido de mais
Língua e lábios se encaixam
Como se fossem feitos um para o outro
Entrando e saíndo
Descendo e subindo
Gemidos do gozo
Delirios de amor
Antonio Oliveira

sábado, 25 de julho de 2015

Homenagem ao Povo Nordestino.

Homem que lida a roça
Tira da terra seca algo pra comer
Mora numa casa humilde
Uma casa de sape.
Um pequeno fogão à lenha
Onde sai sua alimentação
A energia é o candeeiro
E a janela sua televisão.
Ali ele vê seu mundo
Sua roça, seus animais
Falando consigo mesmo
Vida melhor não tem mais.
Senhor de idade avançada
Que nesta vida sofreu bastante
Viu partir desta vida
Sua amada, sua amante.
Aqui faço a homenagem
A todo homem nordestino
Homens que vive uma vida de espinhos.
Mas que nunca se arrependeu
E conta sua história rindo
Ri do que passou
As lágrimas só vêem aos olhos
Quando fala da mulher que amou.
Antonio Oliveira

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Amor a galope

Abra a porteira
Que o amor está chegando
Cavalgando lá vem ele
Solitário querendo amar.

Quando ele chega
Muda tudo, gira o mundo
E nos deixa abestado
Falar dele é complicado

Como brilha os olhos
Daquele que está amando
Fica sego e louco
E o coração palpitando.

Sonha acordado
E quando sonha, viaja
No sonho sempre vê
Quem o embriaga.

Embriagar-se é sempre bom
E de amor melhor ainda
Pode entra oh! Amor
E trás a minha mina.

Antonio Oliveira

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Não foi

Não foi...

Não foi por falta de amor
Que não te amei
Não foi por falta de caminhos
Que não te encontrei
Não foi por falta de firmeza
Que muitas lágrimas por ti derramei
Não foi por falta de animação
Que teus domingos não alegrei
Não foi por falta de oportunidades
Que em tuas mãos não toquei
Não foi por falta de inspiração
Que poemas não declamei
Não foi por falta de coragem
Que não me declarei
Não foi por falta de palavras
Que mil cartas não te mandei
Não foi por falta de um rumo
Que contigo não viajei
Não foi por falta de voz
Que belas canções não cantei
Não foi por falta de olhos
Que teus defeitos não enxerguei
Não foi por falta de pés
Que ao teu lado não caminhei
Não foi por falta de telefone
Que dez mil vezes não te liguei
Não foi por vontade de morrer
Que greve de fome planejei
Não foi por falta de abrigo
Que por tua causa perambulei
Mas foi apenas por medo de um NÃO
Que um SIM eu não tentei!!!

Dionísio de Jesus

Redundância

Redundância

Amo-te loucamente,
Melancolicamente,
Obsessivamente
Ardentemente,
Perdidamente,
Estonteantemente,
Vorazmente,
Apaixonadamente,
Profundissimamente,
Exageradamente,
Infinitamente,
Tão inutilmente,
Para saber simplesmente,
Que me és tão indiferente!!!!!!!!!

Dionísio de Jesus

Carta para a ex

No rádio toca uma canção
Que fala de amor e de paixão
Lembrei-me de você
E recusei-me a escrever.
Sozinho você me deixou
Sofrendo e sentindo dor,
Dor no peito e no coração
Alguém me disse que era ilusão.
Disse ainda que não me amava
E que quando estava junto e
me abraçava era noutro que pensava.
E esse foi meu desgosto.
Eu te amei tanto.
Que mesmo sabendo que não me amavas
Te amei, te quis, te desejei
Mas não recebi nada em troca.
Hoje sei.
Sei que tive um amor desperdiçado
Um amor maltratado.
Mas olhe, isso vai mudar
E com certeza também vais chorar.
Encontrarei um novo amor
Que tirará toda essa dor
E serei feliz, olhe o que esse texto diz!
E verás que me fizeste infeliz.
Eu vou encontrar
Um novo alguém para amar
Dar aquilo que você não quis
E hei de fazê-la feliz.
Pode apostar!
Antonio Oliveira

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Carta de amor

Carta de Amor
Lembro-me chorando, de quando líamos juntos sobre as cartas de amor
Quando o poeta dizia que "as cartas de amor são ridículas"
E te apresentei meu poeta...
Mas não sou ridículo, escrevo sempre cartas de amor... a meu modo!
Estão cá no coração, guardadas... Só abrirei pra ti, só pra ti!
E mesmo não sabendo o que me arrastou, como um imã
Para dentro de ti
Para a ternura de tua voz, para o consolo de tuas curvas
Quis dormir em teus braços, contemplando
Esta beleza que está além, muito além
Do que meus olhos podem ver...
E se abrires a carta de amor, que talvez seja ridícula, mas que está no coração
Saberás a verdade... Que
De tudo que vi e senti até agora, só está em ti
A paz que preciso, a metade que completa
Que teu colo é meu divã
Que tua psicologia é a melhor terapia
E meu coração junto com as cartas de amor
Está em tuas mãos
Meu coração ridículo.
Minha carta tímida.
Nossa carta de amor.
Dionísio de Jesus

tudo é perfeição

tudo é perfeição

O lugar mais longe que eu quero ir,
é aquele que em ti me faz sorri.
O lugar mais longe que eu quero está,
é aquele que você não tá.
Sem ti tudo vira solidão,
com você meu amor,
tudo é perfeição.

Antonio Oliveira

Meu primeiro texto escrito.

É mais fácil...

É mais fácil cair do que levantar.
É mais fácil sorrir do que chorar.
É mais fácil...

É mais fácil te ver
Mas sem te ter
Dói de mais...

Doí de mais saber
Que sem o teu querer
Eu não sei viver

É mais fácil rir do que chorar
Mas sem o seu amar
Eu já não sei rir
Apenas chorar.

Antonio oliveira

Sozinho


No silêncio busco te ouvir
Ouço o vento que leva sentimentos.
Suspiro!
Pássaros tentam me falar
Assoviam quase a gritar
Mas não entendo.
Choro!
Árvores balançam suas folhas
Quem sabe apontando um caminho.
Cadê você?
Engasgo, choro mais
Grito, olhando para trás
E nada.
Cade você?
Fecho os olhos te vejo sorrir
Mas quando abro
Ainda estou sozinho aqui
Cadê você?
Ta frio sem você
Vem me esquentar
Corre! Volta pra mim
Estou louco pra te achar.

Antonio Oliveira

Sonhos



Deitei, adormeci, dormir.
Viajo sem do lugar sair
Com olhos fechados a voar
Será que irei te encontrar

Me vejo andando numa rua
Rua esta que está deserta
Sem ninguém pra conversar
Nela você não está.

Estou num lindo campo
Olhando o horizonte
Sentado num barranco
Olhando uma ponte.

Acordo triste
Sonho acordado
Será que ela existe
Estou desesperado.

É ela por quem respiro
É por ela que existo
Que vou fazer se ela é minha sina
Meu Deus quem é essa mina.

Antonio Oliveira

Itiruçu

Itiruçu

Na minha querida Bahia
Lá está minha princesinha
No sudoeste da terrinha
Itiruçu minha menininha


Terra fria e de bons ventos
Lá há tantos talentos
Do Dionísio de Jesus ao Rogério Brito Correia 
sentimentos que na sua alma serpenteia


Povo lindo acolhedor
Por mais que esteja longe ainda sinto teu calor
Saudades daqueles que partiram e 
não pude me despedir amigos que 
morreram mais os levo dentro de mim


Aqui encerro esse texto
Mandando aquele beijo
E um grande abraço
A todos que estão ali


Ali foi que cresci
E ainda não esqueci
Porque de tudo que já vi
Itiruçu não há nada igual a ti.

Antonio Oliveira

Se doar por inteiro

O amor tem que ser exercitado,
amado, sofrido, amargurado.
O amor é assim, tem que sofrer
para aprender a ser forte.
Tem que ser forte para se doar.
Se doar para quem te ama
Nem que seja na cama
Mas inteiro completamente.
Pela metade não cabe amor
Não existe esse amor
Que amor é esse?
Amar nos torna fraco
Amar nos faz forte
Amar nos faz doar
Amar nos ensina a amar.

Antonio Oliveira

Como um simples olhar nos revela tudo



Eu e você, nós dois.
Na mesma linha de visão
Tudo para...
Como se fosse um filme
Eu te vi.
E como se fosse impossível
Te perdi.
Achei!
Miragem,
pensei.
Mas não era.
No meio de tanta flor amarela.
Não está.
Ana, Nedina, Joana, Mina! meu amor eu vou te dar.

Antonio Oliveira

Me encaixa

Engraçado como somos atrevidos.
em espaço pequeno desmentidos.
Julgamos ser experientes
mas somos apenas pivetes Descrentes.
Sei o que você gosta.
Gosto do que você odeia.
Odeio o que você gosta.
Gozo com seu sorriso
Riu do seu choro.
Choro por seus medos
Tenho medo e morro.
Me conta seu conto
pra ver se nesse conto eu me acho,
me embaraço, me encaixo.
Encaixar é sempre com dois.
Que nem feijão e arroz. 
eu, você... Nós dois.

Antonio Oliveira

terça-feira, 21 de julho de 2015

Acidente

Acidente

Está tão escuro,
Tão calmo
Minha respiração, tão fraca.
Onde estou?
Lembranças, angústias, vitórias
Fracassos
Encontros, e caminhos perdidos
Passos arrastados
Pés descalços.
Suor de um dia de cão.
Sinto gosto de sangue
Ouço ao longe alguém chorar
Mim chamar, sacudir a gritar:
Pai, meu pai!
O que aconteceu?
Só do velocímetro marcar km!
E tudo se apagou...
Me sinto melhor
O medo passou
Cicatrizes terei
Mas a dor ainda está aqui.
e eu consegui vencer o acidente.
Agora é ter mais atenção
E não usar a contra mão.


Antonio Oliveira

EU VI O MAR

eu vi o mar
como é lindo
o vi beijar com suas ondas a areia da praia
como se fosse um casal apaixonado.
e ela se derretia ao senti o toque.
Eu vi o mar
e também o vir
bater e rebater contas as pedras da montanha
como se fosse um monge ao tocar seu atabaque e entoar seus mantras.
E elas se despendiam da montanha e abraçavas a ele.
Eu vi o mar
e no balanço vi um barquinho a deslizar
como se fosse um casal de mestre sala e porta bandeira a navegar pela avenida
e sorria e o seu sorriso resplandecia nas águas profundas.
Eu vi o mar
vi pescadores, homens trabalhadores
que morre, de amores pelo mar
que quando jogam suas redes
mesmo que a tirem vazias não perdem a esperança
de poder outra vez jogar
e de lá sair o sustento
de quem ficou em casa a espera
Eu vi o mar
e também o senti
me joguei como pássaros em seu primeiro voo
e eu o amei.
Ah!.... Eu vi o mar.

Antonio Oliveira

Borboletas

Borboleta
Tudo está como sempre
Ouve-se aquela música
Que sempre toca... Sempre
Mas não para sempre!
Sempre nada será para sempre
Tudo perdido para nós
Não adianta atar os nós!
Tememos não viver
Queremos viver
Uma vida que é o agora
Pois se morre a qualquer hora
Às vezes sem adeus, sem DEUS
Em cada milésimo de segundo.
Há um campo minado...
Quem faz reflexões enlouquece cedo
Quando sente a fragilidade da vida
A poeira que envolve a felicidade
Perde o medo!
Abraça a vida, a loucura
Quer sentir, viver todas as sensações
Fartar-se de amor, milhões de amores
E nunca amar ninguém
O tempo é pouco
O amor é louco
Amar é pra poucos
Morte é certeza!
Vida é só vida
Viver é diferente
Perigoso
Dionísio de Jesus

Luxúria

Luxúria
Teu corpo moreno é pecado
Tua sensualidade um chamado
Para um delírio no inferno
Inferno chamado luxúria
Onde no apogeu da loucura
Gozaremos abraçados!!!
Corpos suados e colados
"Pelos" compatíveis
Caminhos pouco trilhados
Nossa genética sorrindo
E nossos sexos se unindo
São gêmeos inseparáveis!!!
E brigando Testosterona
Com "falsa" Progesterona
Pegam sempre carona
Com a louca Adrenalina
E tudo isso culmina
Num êxtase frenético
Onde o que é moral e ético
Ultrapassa o entendimento
E o que vale é o sentimento
Dos seres que se devoram!!!
Dionísio de Jesus

Ai de ti, Itiruçu



Ai de Ti, Itiruçu
(esse poema é dedicado a Dionísio de Jesus)
Ai de Ti, Itiruçu!
Que não elevas os teus poetas 
Que não cumpre tuas metas
Mas, eu me meto na tua história.
Porque faço parte dela
Porque sou teu filho
Eu quero teu brilho
Carrego tua bandeira
Enalteço teu nome
E louvo as tuas tradições.
Ai de Ti, cidade minha!
A minha sina é carregar-te no peito
Como se não tivesse jeito
Trago-te como se portasse uma medalha.
Salve, salve cidade do sudoeste baiano
Morro Grande, nem por engano
Eu irei te esquecer.
Ai de Ti, Itiruçu!
Ai de Ti, ai de Mim, ai de Nós!
Que distância! Que Saudade!
A vida Saúda-nos, a vida ensina-nos:
A ser grande na nossa pequenez
A ser puro nas tabernas do mundo
A ser lúcido nos manicômios da pátria
A ser honesto no Palácio do Planalto Central.
Ai de Mim, Itiruçu!
Que faço tributo a distancia
Que não bebo água do Beija-flor
Que não brinco nas tuas festas juninas
Que não rezo a Trezena de Antônio
Que não banho nas águas de tuas fontes
Que não jogo nos teus campos.
Ai de Ti, Itiruçu!
Se Tu soubesses quem Tu és.
E Tu nem sabes quem sou?
Talvez, eu seja um poeta frustrado
Um operário das ruínas
Um conivente das carnificinas
Aquele que carrega uma cangalha
Que está escangalhada.
Não quero ser impróprio
E não quero esculhambar
Com esse meu cântico de impropérios.
Ai de Mim, Itiruçu!
Com esse meu canto de vitupério
Com essa minha ausência de autenticidade
Esse minha predestinação irrelevante
Essa minha submissão à metrópole
Esse meu sentimento incompreensível
Com esse meu arrependimento mais do que tardio.
Esse meu tributo farsante
Se não fosse Dionísio de Jesus
Nada disso seria verdadeiro.
Rogério Brito