De onde tu vens, nego?
Onde tu moras, nego?
Quem é que te dá carinho?
Quem te mostra o caminho?
Eu venho do grito de dor
Da boca sangrando
Do peito nu, machucado
Das costas com sangue pingando.
Já morei na África
Fui roubado pra América
Chicoteado no Brasil
Humilhado, ô mãe gentil.
Tive carinho e pão
Jogados no chão
Como que pra um cão
Deitado num papelão.
Meu caminho foi traçado
Por branco endinheirado
Donos de fazendas sem piedade
Que batiam sem olhar idade.
Somos ainda a maioria
Daqueles que moram na periferia
Mesmo hoje depois da abolição
Ainda estamos abatidos, no chão.
Antonio Oliveira