quinta-feira, 31 de março de 2016

A POESIA

Ela vem como a luz do dia
Irradiando amor e alegria
Fazendo o mundo entrar em sintonia
Traduzindo notas em melodia.
Quando ela fala anuncia o amor
Em tantas formas e som
Em tantos sotaques o dom
De modificar a dor.
Em cada rima um sentimento
As vezes de sofrimento
As vezes de alegria
Eis aí a poesia.

Antonio Oliveira

terça-feira, 29 de março de 2016

LUZ DE MIM

Juro tão puro e tão forte o amor que sinto
Que de pensar em não te amar já nem existo
Se penso nego, se nego sofro, não minto!
Se me enfraqueço, então, amo e desisto

De todo bem que sobre minh'alma  incida
És a semente mais preciosa e fecunda
És o meu sol...logo meu dia... logo vida...
Do alvorecer, és plena luz que me inunda!

Por mais te apagues, me continua acesa
A chama viva, e esquecê-la não posso
Sem fenecer, aos poucos, pela tristeza

Por isso luto, e o quanto és vida endosso
Cada vã hora, não obstante a certeza
De que este sonho jamais há de ser nosso!

Luciana Nobre


sábado, 26 de março de 2016

A FLOR DESEJADA

Escondeste de mim teu amor, querida
Em troca só me deste a dor
Estou com a alma ferida
Por causa de ti ó flor.

Trancaste num botão
A chave para o teu coração
E com os espinhos, teus guardas
Não permites que eu chegue
Nem perto de tua morada.

Donde estou posso sentir seu cheiro
Posso apenas te olhar e desejar
Querendo te ver desabrochar
Desejando ser eu o primeiro.

A ver sua beleza desfilar
Fazendo da natureza sua passarela
E assim a flor mais bela
E encantarás todos que por ti passar.

Será de Deus a mais linda criação
E amada por todos que olhar em sua direção
Todos desejaram te ter
Mas só de um vais ser.

Antonio Oliveira

sexta-feira, 25 de março de 2016

QUEM ME DERA


Tudo que eu quero é dizer ao tempo
Quem me dera ser eu!
Arrancar de mim o medo
Correr como um vento
E ser sincero comigo mesmo
Talvez não esteja assim tão certo
Mas quem me dera ter uma história
Ser lembrado em Biografias
Autografar em cada livro postado
Vê pessoas a folhar minhas páginas escritas
E atingir muitas das vossas memórias
Tenho tantos sonhos!
Quem me dera ter alguns definitivos
E navegar pelas mentes de maiorias
Acordar e brindar pelas várias conquistas
Quem sabe?...A vitória seja merecida
Quem me dera ir a África
Despertar o meu povo, impedir que ela não morra de novo
Ajudar muitas daquelas crianças
E jamais vê em seus olhos hospedar mágoas
Quem me dera encontrar alguém
Para amar, e se sentir valer
E dizer que vale a pena viver
Ainda que um dia não aconteça
Mas quem me dera! Ser surpreendido de acontecer
Quem me dera
Evitar de dizer um dia quem me dera
Talvez seja muito
Mas quem me dera realizar um pouco.
AUTOR: Kimbungo David António


quinta-feira, 24 de março de 2016

CARREGADO DE MIM ANDO NO MUNDO

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo em mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo.

§
Luiz Gama (1830 - 1882)

quarta-feira, 23 de março de 2016

DISPERSÃO


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é familia,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.

Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua bôca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

E tenho pêna de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me nalma o crepusculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Alcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço...
. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...
. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .


Mário de Sá-Carneiro


terça-feira, 22 de março de 2016

Por que te escondes de mim?
Por que estás a fingir que não me vê?
Amar desse jeito é tão ruim
Você fica nesse esconderijo e eu procurando por você.

Se te chamo, finje não ouvir
Se estás num lugar, quando chego sais dali.
O que te fiz para me tratar assim
Me ignorando e fugindo de mim.

Não sabes a dor que sinto
Ao te ver fazendo isso
Desse jeito vou morrer pressinto.

Antonio Oliveira

segunda-feira, 21 de março de 2016

MINHA BOEMIA

Lá ia eu, de mãos nos bolsos descosidos;
Meu paletó também tornava-se ideal;
Sob o céu, Musa, eu fui teu súdito leal,
Puxa vida! a sonhar amores destemidos!

O meu único par de calças tinha furos.
– Pequeno polegar do sonho ao meu redor
Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior.
– Os meus astros no céu rangem frêmitos puros.

Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho,
Nas noites de setembro, onde senti qual vinho
O orvalho a rorejar-me a fronte em comoção;

Onde, rimando em meio a imensidões fantásticas,
Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas
E tangia um dos pés junto ao meu coração!


Arthur Rimbaud

sábado, 19 de março de 2016

VERSOS ÍNTIMOS


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto doa Anjos

sexta-feira, 18 de março de 2016

PRIMEIRA MENINA - BATE TÃO INTENSO

Bate tão intenso
Ao jorrar sangue quente
No mais gelo frio que
Existe em um coração
Ardente.

Sai solidão para nunca
Mais endurecer aquilo
Que só há em você
Que tenta tirar de nossos
Sonhos acontecerem.

@miguel_yehudi
#MiguelYehudi

quarta-feira, 16 de março de 2016

NÃO ESPERES O CORAÇÃO PARAR DE BATER

Fiquei magoado quando vi-te a chorar
No meio de gentes a lamentar
Para quê chorar?
Se já não consigo respirar
O meu coração deixou de bater
Não quero nem tão pouco lembrar
O que em vida me causou
Esperou o coração parar
Para te sentires a exprimires a alguém
Com prazer de que o gostavas
Pois já nem se faz presente, foi para mas além
Do lado oposto da vida, onde o destino é acreditar
Que jamais aqui nos vai voltar
Infelizente hoje te humilhas, dizes que o admiras
Que pena dizer que o querias
Entre actos e palavras lhe pisavas
Lhe desejavas o desaparecimento
E hoje foram cumpridas
Dizes-te que te arrependas
Por mais simples que possa parecer original
Mas nem o teu carinho era real
Chega de hipocresia!
Este povo que amamos por vezes tem mania
De esperar o coração deixar de bater
Para demonstrar a saudade e exprimir a alegria.

AUTOR: Perauta O Pensador

domingo, 13 de março de 2016

OLHOS DE FEITIÇO!


Iluminei minh’alma com oculto desejo,
de embarcares secretamente e, com molejo,
nas profundezas de meu secreto desatino,
lugar precioso, onde sempre fui peregrino.
 
Se comprares a passagem e parceira
de jornada te tornares, serás herdeira
de um amor verdadeiro e profundo,
que nasceu, quando já estava moribundo.
 
No dia em que meus olhos pararam nos teus,
foi momento de  feitiço, ao aquebrantar meus
mitos já corroídos pelo tempo,
desgastados em anos, a cada contratempo.   

A partir desse olhar mútuo, aguerrido,
juntei todos os pedaços e desprotegido,
de qualquer armadura, acreditei ser factível, 
novamente nesta vida, um amor possível!


Maria De Los Angeles

segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu não consigo te tirar da memória
Quando fecho os olhos vejo toda nossa história
Nossos momentos de carinho
E eu agora sozinho
Vivo a lembrar.
Eu não posso e não quero te esquecer
Por mais que me fizestes sofrer
Por mais que eu ainda sofra
Não consigo beijar outra boca
só que não sei onde te encontrar.

Antonio Oliveira

sexta-feira, 4 de março de 2016

Anjo Bento


Destes que campam no mundo
Sem ter engenho profundo
E, entre gabos dos amigos,
Os vemos em papafigos
Sem tempestade, nem vento:
Anjo Bento!
De quem com letras secretas
Tudo o que alcança é por tretas,
Baculejando sem pejo,
Por matar o seu desejo,
Desde a manhã té à tarde:
Deus me guarde!
Do que passeia farfante,
Muito prezado de amante,
Por fora luvas, galões,
Insígnias, armas, bastões,
Por dentro pão bolorento:
Anjo Bento!
Destes beatos fingidos,
Cabisbaixos, encolhidos,
Por dentro fatais maganos,
Sendo nas caras uns Janos:
Que fazem do vício alarde:
Deus me guarde!
Que vejamos teso andar
Quem mal sabe engatinhar,
Muito inteiro e presumido,
Ficando o outro abatido
Com maior merecimento:
Anjo Bento!
Destes avaros mofinos,
Que põem na mesa pepinos,
De toda a iguaria isenta,
Com seu limão e pimenta,
Porque diz que o queima e arde:
Deus me guarde!
Gregório de Matos

quinta-feira, 3 de março de 2016

Conversando Comigo


... (silêncio)
Ouvi um "tum"
Depois um "tum tum"
... (silêncio)
Eu tinha tanta coisa pra falar
E queria ouvir tantas outras
Mas só o silêncio fez-se ouvir.
Pensei que teria um diálogo
Ou então um dedo de prosa
Mas só quem falou foi o silêncio.
Fiquei em silêncio pra tentar escutar
Fiquei extasiado com a paz que encontrei
E prometi que sempre o silêncio eu ouvirei.
Antonio Oliveira

terça-feira, 1 de março de 2016

Chico Viola

Deus não anda na cidade.
Os dotô que véve sempre
nos livro a pesquisá,
nas fôia morta dos livro
nunca Deus há de encontrá.
Se vancê aí num é incréu,
e qué devéra sabê,
qué sabê Deus onde tá..
Não percure essa Criatura
nem nas igreja dos padre,
nem nos livro, nem no céu.
Sabe adonde é que Deus tá ?
Deus canta pelo biquinho
saudoso dum sabiá.
Deus anda cherando os mato
pru dentro dos capoerão.
Anda zanzando de noite
com a lua lá do sertão.
Ele canta enrodiado
no coração dum caboco
gemendo num desafio.
Ele véve nas froresta..
no meio das mata virge
tomando banho nos rio.
O vento, derruba um casa
num bofetão..né ?
Mas porém num tem um ente
que andando pelas fechado
das terra La do sertão,
Visse uma vez, sêo dotô,
a casa dum passarinho
que o vento jogou no chão.
É pru que Deus,
que é mais grande
que o céu e a terra,
e se esconde na ponta fina
dum espinho...
em noite de ventania
na da pulas mataria
atrepado pulas arve
pra segurança dos ninho.
Deus, num anda na cidade.
Deus é o ente que mais sofre
Pru que Ele é o Pai da sodade.
Deus é Deus pru que é mistéro
Deus num lê...
Deus num escreve.
Vancê creia que Deus passa
pela ciência dos homi,
como o sor passa nas nuvem
pru riba dum cemitéro.
Deus um Sábio anarfabeto.
E quando Deus qué se ri,
se mete dentro dos óio
duma muié..pra feri.
Pru sabe que a muié,
Ferindo memo consola.
Mas porém quando o sinhô
tá triste...tá com sodade
da Santa virge Maria,
Deus Nosso Sinhô se esconde
nas corda duma viola,
pra chorá memo á vontade
a sua malincunia.

Catulo da Paixão Cearense