terça-feira, 27 de outubro de 2015

Não é por ti que o sol brilha,
Antes de nasceres ele já brilhava.
Não é por ti que cai a chuva,
Já chovia a muito, quando nascestes.
Não é por ti que o mundo gira,
Muitas e muitas voltas já aconteceram antes de ti.
Mas depois que nascestes
Tudo parece ter olhado para ti
E disseram entre si
Que daquele dia em diante
Existiriam só para ti.

Antonio Oliveira

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

COMO UM NAVIO ANCORADO NO PORTO

Como um navio ancorado no porto,
Que o vento e a tempestade não o afasta do cais.
No abraço apertado de amigos,
Que há muito não se vêem.
E quando se apertam um se torna o outro.
A prisão amorosa do útero, que protege e dá vida,
No ventre da mãe.
O voo do passarinho que deixa seu ninho,
Indo lutar contra as correntes de ar,
Tentando achar o que comer e alimentar sua cria.
São tudo formas de amar,
Eles têm suas dores e seus amores.
Um que dá, outro que recebe.
Uma troca de sentimentos
Que embebidos pelo momento
Os deixam únicos.
Um que completa o que está ausente no outro.
O Amor.
Ele que completa tudo
Todos se rendem por ele
Se fazem de fortes, dizem que não acreditam
Mas quando ele chega, é como cachoeira,
Que vai enchendo o peito até transbordar.
Todos precisam dele,
Tudo dá voltas em torno dele.
Como a terra seca precisa d'água
Como o poeta de sua amada.

Antonio Oliveira

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

INDIFERENÇA

FAZ TEMPO QUE TENTO TE FALAR,
FAZ TEMPO QUE QUERO REVELAR,
QUE FAÇO TUDO POR VOCÊ,
MAS SÓ VOCÊ NÃO PERCEBE, NÃO VÊ.

MEUS AMIGOS RIEM DE MIM,
FALAM QUE É TRISTE ME VER ASSIM,
MAS FAZER O QUÊ!
SE MINHA VIDA É AMAR E SOFRER POR VOCÊ.

SE FINJO QUE TE AMO, SOFRO.
SE INSISTO QUE NÃO TE AMO, SOFRO MAIS.

MIM PERGUNTO SE ÉS CAPAZ DE SENTIR O QUE SINTO?
PORQUE VOCÊ É TÃO INDIFERENTE?
SERÁ QUE NÃO TERÁ UM FUTURO PRA GENTE?

SOFRO, MAS TE AMO
SOFRO, MESMO SE FOR UM ENGANO
SOFRO...

TE AMO!

ANTONIO OLIVEIRA
(14-10-2015)


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

MEU ÊXTASE

QUERO TE FAZER UM PEDIDO,
QUERO QUE FECHES OS OLHOS,
E SÓ ME OUÇA.

IMAGINE UM CASULO ECLODINDO
E UMA LINDA BORBOLETA SURGINDO
IMAGINE A FLOR E DESABROCHAR
O BOTÃO SE ABRINDO ATÉ FORMÁ-LA.

AGORA PEÇO QUE IMAGINE O ÁPICE DO VULCÃO
QUERENDO POR PRA FORA TUDO O QUE SENTE
O MOMENTO EXATO QUE A FLECHA ENCONTRA COM A MAÇÃ
TOCANDO-A E SENDO UM SÓ.

O INSTANTE QUE O SEGUNDO COMPLETA A HORA
E SE TORNA PARTE DE UM TODO.
O PEQUENO RIO QUE SE ENCONTRA COM O MAR
E JÁ NÃO SABE ATÉ ONDE ELE PODERÁ CHEGAR.

AGORA ABRA OS OLHOS, SABES O QUE SINTO
QUANDO SUA BOCA ENCOSTA MINHA.

ANTONIO OLIVEIRA




domingo, 11 de outubro de 2015

BALANÇO DA REDE

Uma rede pra descansar
Num lugar tranquilo
Separado do barulho
E da pressa do mundo.

No balanço vou viajando
Fumando um cigarrinho
Querendo saber das coisas
Que ainda vem pelo caminho.

Pássaros passam a voar
Galinhas a ciscar
Vivem suas vidas
Sem ninguém pra atrapalhar.

Vento que sopra devagar
Sentindo uma paz que invade
Não tem coisa melhor
Que uma rede no fim da tarde.

Antonio Oliveira

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Todo o Amor em Nosso Amor se Encerra


Minha moça selvagem, tivemos 
que recuperar o tempo 
e caminhar para trás, na distância 
das nossas vidas, beijo a beijo, 
retirando de um lugar o que demos 
sem alegria, descobrindo noutro 
o caminho secreto 
que aproximava os teus pés dos meus, 
e assim tornas a ver 
na minha boca a planta insatisfeita 
da tua vida estendendo as raízes 
para o meu coração que te esperava. 
E entre as nossas cidades separadas 
as noites, uma a uma, 
juntam-se à noite que nos une. 
Tirando-as do tempo, entregam-nos 
a luz de cada dia, 
a sua chama ou o seu repouso, 
e assim se desenterra 
na sombra ou na luz nosso tesouro, 
e assim beijam a vida os nossos beijos: 
todo o amor em nosso amor se encerra: 
toda a sede termina em nosso abraço. 
Aqui estamos agora frente a frente, 
encontrámo-nos, 
não perdemos nada. 
Percorremo-nos lábio a lábio, 
mil vezes trocámos 
entre nós a morte e a vida, 
tudo o que trazíamos 
quais mortas medalhas 
atirámo-lo ao fundo do mar, 
tudo o que aprendemos 
de nada serviu: 
começámos de novo, 
terminámos de novo 
morte e vida. 
E aqui sobrevivemos, 
puros, com a pureza que criámos, 
mais largos do que a terra que não pôde extraviar-nos, 
eternos como o fogo que arderá 
enquanto durar a vida. 

Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"  

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
 
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
 
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
 
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, 
a ideia de recompensa e de glória. 
 
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence. 

CECÍLIA MEIRELES