quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

MUSA CONSOLATRIX

Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sussegado
Que o poeta respira o suave sono.

Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de confôrto.

Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vale tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias,
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcione divina.

Musa consoladora,
Quando da minha fronte de mancebo
A última ilusão cair, bem como
Fôlha amarela e sêca
Que ao chão atira a viracão do outono,
Ah! No teu seio amigo
Acolhe-me, - e haverá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!

Machado de Assis

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Vou Conseguir

Corri, perambulei,
Andei com passos arratados
Atrás de coisas que nem sei,
Se um dia encontrarei.

Mas não vou desistir
Tenho comigo esta certeza,
De que vou conseguir.

Vencerei meu maior desafio,
Vencerei nem que seja por um fio.
Vencerei.

Já passei por tudo que devia
Vi e ouvi coisas que jurei saber.
Aprendi e continuarei a aprender.

Sou um homem criado, amado
Fui criado no sertão.
Para aprender, caí muitas vezes,
Mas levantei e levantarei.

Pois meu lugar não é o chão.

Antonio Oliveira ( 23/12/15)