terça-feira, 17 de novembro de 2015

Um Poema Sobre Teu Abraço

Tem abraço que abraça,
Daquele que nos lacaios ,
E então tudo nos passa,
É o abraço dos teus braços...
Mas tem abraço que disfarça,
Que não tem sequer a raça
De um abraço que ameaça
Arrancar-te um pedaço.
Autor: UMPOEMASOBRENOS (instagram)

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Só Um Sonho

Ao te ver passar
De biquíni, tão sensual.
Chamas-te o mundo para ti ver,
Mudaste a direção.
Prendi meus olhos
Na deusa que passava,
E que deixava tolos os que a via,
Embriagados com tamanha simpatia.
Desfilava na areia como na passarela
-Alguém me apresenta pra ela!
Foi o que pedi.
Mas ninguém ouviu.
Ela sorriu.
E o sol brilhava de alegria
O mar, ah ele se deliciava ao tocar seu corpo
E eu ali parado, louco.
Pra saber se pra ela eu existia.
Ahhhh. Que angústia.
Mas de repente tudo acabou
E eu fiquei a observar
Aquela deusa pra ir longe
Sem saber quando ou onde encontrar.
Como um tornado que passa
Arrasa e maltrata
Ela passou.
Deixou em farrapos um coração
Que não pediu
Mas mesmo assim o feriu.
Acordei...
Antonio Oliveira
(16/11/15)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

HOJE FAÇO TRINTA

Hoje faço trinta,
O amanhã já não sei,
Vivo e vivi rindo,
Atrás das coisas que deixei.

Deixei no meio das estradas,
Que por mim foram pisadas
E que ficaram rastros,
Dos pés ou da sandália.

-Calça o chinelo “toinho”.
Dizia minha mãe.
-Deixa de ser teimoso.
Insistia ainda.

-Não sei pra quê.
Respondia eu,
-Energia se pega é com pés no chão.
E tome beliscão.

Hoje olho pra trás,
E vejo o caminho que trilhei,
Sei que não fui capaz,
De ter tudo que desejei.

Não tenho o que pedi,
Mas tenho o que me foi confiado,
São coisas que me fortalece,
Por isso digo, obrigado.

Agradeço pela minha casa,
Agradeço por minha família,
Sou grato por minha casinha,
Por João e por Hermínia.

Eles são tudo pra mim,
Sem eles eu não seria ninguém,
Só peço saúde e esperança,
O resto o Senhor provém.

Antonio Oliveira ( 11/11/15)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um Náufrago No Teu Olhar

No fundo dos teus olhos
Há mais que se pode ver
Palavras não expressariam
nem há como descrever.

O brilho que vem deles
Iluminam este mortal
Luz que transforma minha vida
É sobrenatural.

Sentir-se dentro deles
É como flutuar,
Voar em pensamentos
Nadar no imenso mar.

Mergulharia se eu pudesse
Todos os dias nesse olhar
Lá me perderia
E não deixaria me achar.

Passaria anos perdido
Navegando nesse olhar
Ficaria a deriva
Um náufrago no teu olhar.

Antonio Oliveira ( 09/11/15)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

EU QUERO VORTÁ P'RA CASA MEU PAI

Eu quero vortar pra casa, meu pai.
Quero voltar.
Num sei qui rumo tomá
Depois de tanto girar,
Esqueci ou mesmo desconheço
O meu primeiro endereço
A luz donde fui brotá.
Eu vim lá do sertão
Entrei nesta multidão
Que atravanca este planeta
Sem um cartão, sem uma plaqueta
Sem quarque indicação, tonto fique,
num sei vortá.

A vida é cheia de desengano
E eu com sessenta anos
ainda num sei falá.
É costume se ter piedade
Duma criança perdida
Tonta e estranha na cidade,
Todo mundo tem dó de mim, todo mundo
Porque dó é humano e todo mundo é hunano,
nascido e marcado pro mesmo fim.
Já quizeram inté me levar me levar pra casa
Quizeram sim.
Pros meu pais, pros meus mano
Mas eu com sessenta ano
Ainda num sei dizer de onde vim.

E não é que eu desconheça que nasci feio,
enrrugado, pequtitim, desdentado,
sem cabelo na cabeça
pois bem; esses mesmos dados
me servem hoje como já serviram;
Meus cabelos caíram
Os meus dentes, acabaram
E as rugas ?
Se eu crescendo sumiram, envelhecendo vortaram.
E se se nasce chorando,
Eu posso te dizer também
Que eu choro de quando em quando,
mas choro com o ninguém.

Ah..mamãe, grita..Jorginho!!!!
Pai, Grita..ô menino,
A mãe chama o filho vai
O pai chamou ? Este é o caminho.
Mas, eu apuro os ouvidos
E um triste silêncio cai.
To perdido...perdido..
Não tenho nem mãe nem pai.

Vivo ? Acho que estou vivo.
Mas sem um objetivo
De quem vem ou de quem vai.
Nada me dá um motivo
Nada me prende ou me atrai.
Nada me empurra ou me abrasa
Pra poder continuar
Eu quero voltar pra casa..
Já com pouco amor..a fé muito rasa..
Papai e mamãe sem me chamar
Eu quero voltar pra casa
Mas esqueci o lugar.

Autor: Giusepe Chiaroni

sábado, 7 de novembro de 2015

A Seca


I

A fome aperta a barriga
Na panela só água fria
E um pouco de farinha
Pra sustentar essa escravinha.
O boto, meu cachorro, já não late mais
As vaquinhas tão magrinhas não levantam
Mugem sofridas por falta da comida
Seus olhos imploram pela morte.
A roça não floresceu este ano
As verduras secas não dão sustento
A mandioca que vai tão bem na seca, não vingou.
Será que é o fim?
Minhas pernas trêmulas precisam de ajuda
No resto de farinha, um pedaço de pão
Daqueles que dão na festa do santo
Para abençoar a comida, e nossas vidas.
Só que ate agora ela não chegou
A bênção que o padre falou
Só vejo seca e a morte chegando
Já não acredito mais.

II

O ano passou, e a seca tamanha está passando.
A chuva que a muito tempo não vinha,
Caiu.
As folhas verdes estão surgindo.
O mato saiu.
As reses que sobraram, pastam em busca da comida.
Já plantei o feijão, mandioca e o milho.
Com fé em Deus vão vigar.
Se a chuva continuar, esse ano terá comida.
Não é que no ano passado não teve,
Mas foi pouco e os animais morreram.
Esse ano ta diferente,
A água encheu a lagoa,
De sede eles não morrem.
A bênção que o padre falava, chegou
E Deus há de prover mais.
Para mim e pros meus animais.

Antonio oliveira

A LOUCURA DO AMOR

O amor é algo que queima
Como a força de um tornado.
Nos apunhala como um toque de uma
Pétala caindo no chão.
Nos aprisiona como um rabisco
Numa folha de papel.
Nos embebeda como o doce aroma
Das gotas de chuva no chão seco.
Nos leva ao céu como um gato
Preparando o bote pra pegar sua presa.
Nos entorpece, muda nossos versos,
Faz-nos poeta como se fosse um bebê
Ao segurar uma mamadeira.
O amor é louco
E acho que estou ficando.

@umtaltonne (07/11/15)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

MESMO ASSIM

Se o vento parar de levar o barco,
E as ondas pararem de molhar a praia,
O pássaro lindo não mais voar,
Mesmo assim eu vou te amar.

Se o céu despencar sobre nós,
Se a chuvar vier a molhar os lençóis,
E a terra parar de girar,
Mesmo assim eu vou te amar.

Quando o dia parar de nascer,
E a flor não mais florescer,
E as estrelas parar de brilhar
Mesmo assim eu vou te amar.

Quando nossos olhos se fecharem
As bocas sentirem vontade de beijar
Nesse momento, tão esperado momento
Eu vou te amar!

Antonio Oliveira ( 06/11/15)


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Vai só mais um pouco
Por favor
Um pouco mais de força
Pra transpor
Quebrar
Rasgar
Sugir
Existir
Vida

Antonio Oliveira ( 04/11/15)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Hoje me peguei passeando pelas ruas
de paralelepipedos da minha pequena cidade.
Saudades.
Lembranças.
Boas e ruins da infância.
Amigos que não respiram mais este ar,
Moram longe de mais pra voltar.
Cercas que cercavam campo de bola
Campo ladeirado da rua do café,
Que quando não estava na hora jogo
Servia de espaços para os bois,
Que deixavam suas marcas para nós.
Quantas alegrias dei e me deram aqueles campos.
Quantos gols e quantos dedos sangrando por jogar descalço.
Foi bom lembrar deste tempo
Em que os amigos estavam comigo
Rindo, gozando das brincadeiras.
Tempo bom que não volta mais.
amigos que não verei jamais.
Saudades do que foi bom.

Antonio Oliveira ( 03/11/2015)

domingo, 1 de novembro de 2015

Ingratidão

Como és ingrata,
Fizeste-me ir ao deserto,
Perambular sobre as areias quentes
E não estavas lá.
Mandaste um sopro de vento
Anunciar que estarias a me esperar,
Mas em que lugar?
Não a achei.
Enviaste um peixe para dizer-me,
Que estavas a sofrer de tanto me esperar.
Fui ao profundo mar, tentei te salvar.
Mas não a encontrei.
De tantos lugares do mundo
Em que te procurei, só achei solidão.
Se fosses verdadeira, falavas
Que estavas dentro do meu coração.
Fui longe te procurar
E você tão perto estavas,
Trilhei rios e mares
Desertos e estradas
Andei sozinho pelas vilas
Buscando te achar,
Como fui tonto, nem pensei
Que dentro de mim.
Você pudesse estar.

Antonio Oliveira (31/10/2015)