I
A fome aperta a barriga
Na panela só água fria
E um pouco de farinha
Pra sustentar essa escravinha.
O boto, meu cachorro, já não late mais
As vaquinhas tão magrinhas não levantam
Mugem sofridas por falta da comida
Seus olhos imploram pela morte.
A roça não floresceu este ano
As verduras secas não dão sustento
A mandioca que vai tão bem na seca, não vingou.
Será que é o fim?
Minhas pernas trêmulas precisam de ajuda
No resto de farinha, um pedaço de pão
Daqueles que dão na festa do santo
Para abençoar a comida, e nossas vidas.
Só que ate agora ela não chegou
A bênção que o padre falou
Só vejo seca e a morte chegando
Já não acredito mais.
II
O ano passou, e a seca tamanha está passando.
A chuva que a muito tempo não vinha,
Caiu.
As folhas verdes estão surgindo.
O mato saiu.
As reses que sobraram, pastam em busca da comida.
Já plantei o feijão, mandioca e o milho.
Com fé em Deus vão vigar.
Se a chuva continuar, esse ano terá comida.
Não é que no ano passado não teve,
Mas foi pouco e os animais morreram.
Esse ano ta diferente,
A água encheu a lagoa,
De sede eles não morrem.
A bênção que o padre falava, chegou
E Deus há de prover mais.
Para mim e pros meus animais.
Antonio oliveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário