terça-feira, 21 de julho de 2015

Ai de ti, Itiruçu



Ai de Ti, Itiruçu
(esse poema é dedicado a Dionísio de Jesus)
Ai de Ti, Itiruçu!
Que não elevas os teus poetas 
Que não cumpre tuas metas
Mas, eu me meto na tua história.
Porque faço parte dela
Porque sou teu filho
Eu quero teu brilho
Carrego tua bandeira
Enalteço teu nome
E louvo as tuas tradições.
Ai de Ti, cidade minha!
A minha sina é carregar-te no peito
Como se não tivesse jeito
Trago-te como se portasse uma medalha.
Salve, salve cidade do sudoeste baiano
Morro Grande, nem por engano
Eu irei te esquecer.
Ai de Ti, Itiruçu!
Ai de Ti, ai de Mim, ai de Nós!
Que distância! Que Saudade!
A vida Saúda-nos, a vida ensina-nos:
A ser grande na nossa pequenez
A ser puro nas tabernas do mundo
A ser lúcido nos manicômios da pátria
A ser honesto no Palácio do Planalto Central.
Ai de Mim, Itiruçu!
Que faço tributo a distancia
Que não bebo água do Beija-flor
Que não brinco nas tuas festas juninas
Que não rezo a Trezena de Antônio
Que não banho nas águas de tuas fontes
Que não jogo nos teus campos.
Ai de Ti, Itiruçu!
Se Tu soubesses quem Tu és.
E Tu nem sabes quem sou?
Talvez, eu seja um poeta frustrado
Um operário das ruínas
Um conivente das carnificinas
Aquele que carrega uma cangalha
Que está escangalhada.
Não quero ser impróprio
E não quero esculhambar
Com esse meu cântico de impropérios.
Ai de Mim, Itiruçu!
Com esse meu canto de vitupério
Com essa minha ausência de autenticidade
Esse minha predestinação irrelevante
Essa minha submissão à metrópole
Esse meu sentimento incompreensível
Com esse meu arrependimento mais do que tardio.
Esse meu tributo farsante
Se não fosse Dionísio de Jesus
Nada disso seria verdadeiro.
Rogério Brito

Nenhum comentário:

Postar um comentário