terça-feira, 5 de abril de 2016

SERTÃO SOFRIDO

No chão seco do sertão
Arrasto minha percata de couro
Tentando achar água como ouro
Vestido com meu gibão.

Ando léguas todo dia
Em busca da água que sacia
A sede dos meus filhos.

Sigo por todos os caminhos
Já não sei a direção
Quando vai ser, meu Deus! que terminará essa aflição.

Vou passando pelas estradas
Olhando os sítios vizinhos
Não vejo as mulheres sentadas
Cuidado dos seus filhinhos.

A seca matou tudo
Do peixe a galinha
Só nos sobra um punhado de farinha
Pois o resto acabou tudo.

A mandioca já secou
E o milho também
As vacas nem se levantam
Pedindo pela chuva que não vem.

Quando olho pro meu sertão
Os animais morrendo de fome
Faz doer o coração
Tudo é culpa do homem.

Antonio Oliveira

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