domingo, 2 de agosto de 2015

NA ENSEADA DE BOTAFOGO



Como estou só: Afago casas tortas,

Falo com o mar na rua suja…

Nu e liberto levo o vento

No ombro de losangos amarelos.

Ser menino aos trinta anos, que desgraça

Nesta borda de mar de Botafogo!

Que vontade de chorar pelos mendigos!

Que vontade de voltar para a fazenda!

Por que deixam um menino que é do mato

Amar o mar com tanta violência?



Manoel de Barros

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