Olhar vazio
A espera de um tostão
Vive jogado, sozinho
Comendo o que acha no chão
Quando era criança
Sonhava em fazer mudança
Ainda tinha esperança
De um país melhor
Hoje crescido, vive vagando
De esquina à esquina
De chão em chão
Sempre com medo, vai andando
Com idade avançada
A pele enrugada
Sua cama é a calçada
Seu cobertor um papelão
Nela ele lhe estende a mão
- Um Real, pra comprar pão!
As vezes é pro pão
Outras, sabemos que não
Vivemos em um mundo mesquinho
Em que só pensamos em nós
Não conhecemos nossos vizinhos
Na multidão estamos a sós
Homens que poderiam está em melhor situação
Vivem a beira do caminho
Com frio e sem carinho
Sem lugar para lhe curar a dor
Antonio Oliveira

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